
A Corrida e o Silêncio da Mente
Correr é um ato que vai além do movimento. Talvez seja uma das formas mais puras e simples de encontro consigo mesmo. O corpo se estende, o coração pulsa, e a mente se perde no silêncio do agora. Cada passo, uma perseverança que nos aproxima do infinito. No ritmo, o ruído do mundo se dissipa, deixando apenas a voz do vento lhe revelar segredos sobre ti mesmo.
Assim como na meditação, onde buscamos a quietude do pensamento, a corrida nos convida a um estado de presença plena. No movimento encontramos calma. Na aceleração, uma suavidade inusitada.
O corpo se esforça, mas a mente se solta. E tal como o rio que segue seu curso sem pressa, nós nos entregamos ao fluxo, fluindo com a energia de vida pujante que nos envolve.
A cada respiração, a convicção se revela. E as árvores, que outrora eram apenas figuras no horizonte, agora sussurram segredos de novos caminhos. O céu, com todas as suas cores, nos lembra que somos parte do todo, infinitos e fugazes ao mesmo tempo.
Correr é voltar à simplicidade, é sentir o pulsar do mundo sem intermediários, sem distrações e sem ansiedade. É a busca pela serenidade não na ausência de movimento, mas no encontro com o próprio movimento.
A corrida não é apenas um exercício físico, mas uma meditação em cada passo. É como o yin e yang que se abraçam sem conflito, a energia ativa se fundindo com o estado de ser tranquilo. O vigor do corpo encontrando a quietude da alma e nesse abraço sutil, manifesta-se a verdadeira harmonia.
O que buscamos, ao correr, senão o retorno a um lugar simples e profundo dentro de nós mesmos?
O corpo se move, mas a alma se aquieta, como o vento que corre sem ser visto.

